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19,5%
da população nunca foi ao dentista
Quase um quinto da população brasileira (19,5%)
nuca foi ao dentista. O número, considerado "impressionante"
pelo Ministério da Saúde, está na pesquisa
sobre Acesso e Utilização de Serviços
de Saúde, feita pelo IBGE junto com a Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios) em 1998.
O estudo mostra que, se o percentual for calculado para toda
a população do país, chega-se a 29,6
milhões de pessoas que nunca tiveram atendimento odontológico.
Na área rural, o índice é de 32%. "É
espantoso, estou abismado", disse o ministro da Saúde,
José Serra.
Entre a população que ganha até um salário
mínimo, a porcentagem de pessoas que nunca foram ao
dentista (36,5%) é nove vezes a taxa das que ganham
mais de 20 salários (4,07%). Traduzindo em números:
5,5 milhões de brasileiros que recebem até um
salário mínimo nunca foram ao dentista. Entre
os que ganham mais de 20 salários mínimos, 413
mil nunca fizeram consulta.
A diferença é explicável, segundo o ministério,
porque a maior parte dos planos de saúde não
tem cobertura odontológica e pelo fato de o atendimento
odontológico gratuito não ser tão amplo
quanto o médico.
A partir da pesquisa, o ministério pretende ampliar
o atendimento odontológico, incluindo um dentista nas
equipes do programa Saúde Família.
A Pnad também revelou que 86,2% das pessoas entrevistadas
aprovaram o atendimento de saúde recebido em 98. A
resposta, no entanto, não se refere apenas ao atendimento
do SUS. Inclui também aqueles que usaram planos de
saúde ou pagaram pelo serviço. Entre os pesquisadores,
só 49,3% usaram o sistema público.
Não há dados específicos para o SUS.
"Já temos outras pesquisas que indicam satisfação
semelhante com os serviços públicos", disse
Serra. A pesquisa mostra que 7% dos brasileiros tiveram uma
ou mais internações hospitalares no ano interior
à sondagem, número considerado alto pelo ministério.
Mas 79% consideram sua saúde boa ou muito boa.
As doenças crônicas (que precisam de tratamento
contínuo) atingem cerca de 30% da população.
E quanto menor a renda, maior o número de doenças,
enquanto 11% dos brasileiros com renda maior que 20 salários
mínimos têm pelo menos duas doenças crônicas
entre os que ganham até um salário, o índice
é de 16%.
A Pnad foi feita em 100 mil domicílios, atingindo 345
mil pessoas, em outubro de 98.
Fonte: Folha de S. Paulo
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