Boa Noite! 6 de Setembro de 2010

     


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19,5% da população nunca foi ao dentista

Quase um quinto da população brasileira (19,5%) nuca foi ao dentista. O número, considerado "impressionante" pelo Ministério da Saúde, está na pesquisa sobre Acesso e Utilização de Serviços de Saúde, feita pelo IBGE junto com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) em 1998.

O estudo mostra que, se o percentual for calculado para toda a população do país, chega-se a 29,6 milhões de pessoas que nunca tiveram atendimento odontológico. Na área rural, o índice é de 32%. "É espantoso, estou abismado", disse o ministro da Saúde, José Serra.

Entre a população que ganha até um salário mínimo, a porcentagem de pessoas que nunca foram ao dentista (36,5%) é nove vezes a taxa das que ganham mais de 20 salários (4,07%). Traduzindo em números: 5,5 milhões de brasileiros que recebem até um salário mínimo nunca foram ao dentista. Entre os que ganham mais de 20 salários mínimos, 413 mil nunca fizeram consulta.

A diferença é explicável, segundo o ministério, porque a maior parte dos planos de saúde não tem cobertura odontológica e pelo fato de o atendimento odontológico gratuito não ser tão amplo quanto o médico.

A partir da pesquisa, o ministério pretende ampliar o atendimento odontológico, incluindo um dentista nas equipes do programa Saúde Família.

A Pnad também revelou que 86,2% das pessoas entrevistadas aprovaram o atendimento de saúde recebido em 98. A resposta, no entanto, não se refere apenas ao atendimento do SUS. Inclui também aqueles que usaram planos de saúde ou pagaram pelo serviço. Entre os pesquisadores, só 49,3% usaram o sistema público.

Não há dados específicos para o SUS. "Já temos outras pesquisas que indicam satisfação semelhante com os serviços públicos", disse Serra. A pesquisa mostra que 7% dos brasileiros tiveram uma ou mais internações hospitalares no ano interior à sondagem, número considerado alto pelo ministério. Mas 79% consideram sua saúde boa ou muito boa.

As doenças crônicas (que precisam de tratamento contínuo) atingem cerca de 30% da população. E quanto menor a renda, maior o número de doenças, enquanto 11% dos brasileiros com renda maior que 20 salários mínimos têm pelo menos duas doenças crônicas entre os que ganham até um salário, o índice é de 16%.

A Pnad foi feita em 100 mil domicílios, atingindo 345 mil pessoas, em outubro de 98.


Fonte: Folha de S. Paulo