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Halitose
- I (Mau Hálito)
Dra
Olinda Tárzia
Cirurgiã Dentista com Doutorado em Bioquímica
e autora do livro "Halitose".
Todas
as pessoas tem mau hálito?
Se
considerássemos o hálito desagradável
ao acordar, praticamente 100% da população seria
portadora de halitose. Por isso, o hálito da manhã
é considerado fisiológico. Ele acontece devido
à leve hipoglicemia, à redução
do fluxo salivar para virtualmente zero durante o sono e ao
aumento da flora bacteriana anaeróbica proteolítica.
Quando esses microrganismos atuam sobre restos epiteliais
descamados da mucosa bucal e sobre as proteínas da
própria saliva, geram componentes de cheiro desagradável
(metilmercaptana, dimetilsufeto e principalmente sulfidreto,
que tem cheiro de ovo podre). São os compostos sulfurados
voláteis, conhecidos abreviadamente por CSV. Após
a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua
(com limpador lingual) e após a primeira refeição
(café da manhã), a halitose matinal deve desaparecer.
Caso isto não aconteça, podemos considerar que
o indivíduo tem mau hálito e que este precisa
ser investigado e tratado.
É
possível que eu tenha mau hálito e não
saiba?
Sim. As pessoas
que tem um mau hálito constante, por fadiga olfatória,
não percebem seu próprio hálito. Somente
as pessoas que tem períodos de halitose e períodos
de normalidade conseguem percebê-lo.
Como
eu posso saber se tenho ou não mau hálito?
A maneira mais simples de identificá-lo, é pedir
a um familiar ou a um amigo de confiança que faça
essa avaliação para voce. Caso voce identifique
o problema ou caso voce se sinta constrangido a pedir a alguém
que o avalie, pode procurar um dentista para que este possa
ajudá-lo no diagnóstico e no tratamento da halitose.
Atualmente, e cada vez mais, existem dentistas interessados
no assunto, e muitos deles até já dispõem
de um aparelho para medir e avaliar seu potencial de halitose.
Então,
dá para se medir o hálito?
Sim, atualmente existe à disposição dos
profissionais interessados, um aparelho chamado Halimeter®,
que é capaz de medir compostos sulfurados voláteis
e que serve para orientar quanto à gravidade da halitose,
e quanto à melhora e à cura durante o tratamento.
Também é útil para demonstrar claramente
para certos pacientes, que eles não possuem nenhum
cheiro desagradável na boca, quando este é o
caso. Certo pacientes halitofóbicos ficam muitos apreensivos,
com medo de terem halitose e desconhecerem o fato.
Qual
a causa do mau hálito?
É muito bom que se diga que os casos de halitose não
podem ser explicados por um único mecanismo. Existem
casos de halitose tanto por razões fisiológicas
(que requerem apenas orientação) como por razões
patológicas (que requerem tratamento); por razões
locais (feridas cirúrgicas, cárie, doença
periodontal, etc.) ou sistêmicas (diabetes, uremia,
prisão de ventre, etc.). Por isso, pode-se concluir
que todas as possíveis causas devem ser investigadas
e que o tratamento será direcionado de acordo com a
causa identificada. No entanto, 96% ou mais dos casos de halitose
se devem à presença de saburra lingual e, assim,
devem ser tratados.
O
que é saburra?
Saburra é um material viscoso e esbranquiçado
ou amarelado, que adere ao dorso da língua em maior
proporção na região do terço posterior.
A saburra equivale a uma placa bacteriana lingual, em que
os principais microrganismos presentes são do tipo
anaeróbios proteolíticos, os quais, conforme
foi explicado para a halitose da manhã, produzem componentes
de cheiro desagradável no final de seu metabolismo.
Se
a saburra é formada por microrganismos, o mau hálito
é contagioso?
Não. A saburra somente se forma em pessoas com predisposição
à sua formação. Por isso, é muito
comum observarmos casais em que apenas um dos parceiros apresenta
hálito muito desagradável, a ponto de incomodar
o outro.
O
que predispõe à formação de saburra?
A causa primária da formação de saburra
é a leve redução do fluxo salivar, com
a presença de uma saliva muito mais rica em mucina
("gosmenta") e que facilita a aderência de
microrganismos e de restos epiteliais e alimentares sobre
o dorso da língua. É bom que se diga que existem
vários graus de redução do fluxo salivar;
quando a redução é severa (de 0 a 0,3
ml/minuto, sob estímulo mecânico), já
não encontramos saburra, mas sim, outros tipos de desconforto.
A medida do fluxo salivar (sialometria) deve ser feita por
um profissional habilitado para isso. Também é
importante a avaliação das causas da redução
do fluxo salivar para que se possa decidir sobre o tratamento.
Uma causa bastante comum é o "stress" constante.
( Continua...
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